Sunday, July 10, 2011

"Com Aquarela" em co-criação

A escrita é uma linguagem, pela qual impressões e construções são descritas, é também um espaço de diálogo entre artista e público, onde ambos constroem relações no tempo-espaço e no corpo-ambiente. 


Olá Dani!

Sabe quando você vai para um lugar sem ter muita idéia de como será? Assim fui eu.

E isto foi legal, pois tudo foi novidade, desde o começo até o final. Já começou com o fato da platéia fazer parte do palco. Estar sentado ali no meio, de onde você dançarina se movimentava, foi novidade para mim, foi diferente. E o escuro? Não fazia a mínima idéia de que seria assim. Foi surpreendente e enigmático para caramba! Rs.

Ai você começou dançar. Pensei: cadê a música? E nada da música, também nada de luz... Rs.

Os objetos no chão, as folhas em branco, lápis... outras folhas já desenhadas no espelho... Você movendo-se por todo espaço informe... trevas, silêncio absoluto...

Então vi que estava diante da representação do gênesis, da criação. A dança era linda...

O movimento sobre o plástico, representando o Espírito movendo-se sobre as águas...

Começa surgir luz...

Vem o sopro diante do espelho... sopro que dava vida, a criação segundo a sua própria imagem e semelhança.

Gostei muito dos momentos de dança diante do espelho, achei muito bonito, harmônico, simétrico...

As palavras que você dizia, eram reflexivas “Crescer, cultivar, aproximar, afastar, etc.”

“Você é responsável por aquilo que cativas”.

Outros questionamentos: “Quantos amigos você tem? Você tem cuidado deles? Ou você os tem mal tratado (foi super legal a representação arremessando as folhas).

Tem um momento que dá uma curiosidade geral, que é saber o que você escreve nas folhas... Aí você sai dançando, indo aos 4 cantos da sala, tive a impressão de representar levar as boas novas, o amor à todos os cantos do mundo...

"Com uma folha qualquer eu desenho um sol amarelo, com alguns traços eu faço um castelo"... O questionamento de o que estamos fazendo da nossa própria Aquarela?

Poucas vezes enquanto dançava você parou de frente e olhou nos olhos de quem estava lá... era só um olhar, mas que dizia muito.

Mais alguns passos e então o espetáculo termina; de uma forma serena e tranqüila...

Você disse que espera que eu tenha gostado? Pode ter certeza de que gostei muito, foi o tipo de arte que a gente vê e não se esquece mais.

Você quer que eu diga daquilo que não gostei? Impossível, não tem nada, nada, nada do que eu não tenha gostado. Foi tudo perfeito!

Tenho certeza que quando Deus olha e vê pessoas assim, como você, Ele fica bastante orgulhoso de sua criação.

Parabéns Dani, você é muito talentosa!

Bjs,
Eliezer

Sunday, June 19, 2011

Chamada Semana das Arte do Corpo

Um convite à todos!


Danço dia 28 de junho:

Às14h00 na sala 529: "Com Aquarela" e logo após, conversa com Ana Terra no Saguão do Tucarena

Às 19h20 no Tucarena: "EMFORMA"

Saturday, June 4, 2011

O maior no reino dos céus


Quando eu era uma pequena garota eu brincava e minhas brincadeiras não precisavam de muitas explicações. Minhas ações corporais não precisavam ser explicadas. Era curiosa e isso me transportava a outros lugares, pensamentos, sensações. Palavras eram ao acaso, dependiam dos momentos no espaço-tempo, de estados corporais próprios.

As crianças sempre foram consideradas pelos adultos como ignorantes, sem conhecimento, sem responsabilidades. Mas o que é mesmo o conhecimento? O que é ser responsável? Na verdade, os adultos não querem percebê-los e dar tempo às suas indagações, curiosidades, necessidades. Estão sempre muito ocupados em seus afazeres. São solitários.

Não há problemas no fazer e no ser solitário, a diferença está em estar em cada momento, aproveitar cada instante, cada pedaço de uma história que vai se construindo em uma trama de relacionamentos, com pessoas e com ambientes.

A criança, em seu planeta imaginário, simplesmente vive, se relaciona, sabe cativar, é capaz de estar presente em cada instante. Ela apenas faz. Ela apenas se diverte. Ela brinca. Ela dá risada. Nela se encontra a felicidade, que mesmo solitária, cuida de seu planeta e de tudo ao seu redor. Com muito carinho e atenção.

Os adultos são mais responsáveis que as crianças? Eles conhecem mais que as crianças? É como disse a personagem da raposa ao Pequeno Príncipe: “Você é responsável por aquilo que cativas.” E é como disse Jesus em Mateus 18:1-5: “... se vocês não se tornarem como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.”

Wednesday, May 18, 2011

"Com Aquarela": processo de criação


A obra em questão busca diálogos entre desenhos produzidos por crianças após a experimentação em dança em exercícios de classe, e como o corpo na experiência artístico-educadora, organiza informações e sensações ao olhar tais desenhos durante a prática da improvisação. Há uma proposta de co-criação com o público, que também se arrisca em produzir desenhos a partir de sensações percebidas através dos estados corporais manifestados na obra.



 Cada retalho uma parte,
Cada parte um pedaço,


 Cada pedaço uma história,
Cada história um corpo,


 Cada corpo sensações,
Cada sensação momentos,


 Cada momento instantes,
Cada instante uma presença,


 Cada presença relações,


 No corpo, no espaço-tempo